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Uma história parecida a uma outra
“Eu sou muito ligada às memórias do meu jardim, da minha casa, dos cheiros, das vozes das pessoas, do que eu imaginava para mim lá do alto da minha nespereira, um dos meus refúgios secretos. Ainda ouço o ranger da porta da escada principal, os sons, as luzes, os vitrais, o silêncio habitado, as sombras. Era uma casa maravilhosa.
Hoje custa-me muito passar lá na frente, aquela casa era MINHA, não pelo sentido físico da propriedade, mas era minha por dentro de mim, era parte de mim, era o meu palácio encantado, eu era uma princesa solitária, errante e sonhadora, e um dia ruiu o palácio e ninguém me avisou de nada.
Até hoje esse é o maior problema interno não resolvido da minha vida, a minha casa da Covilhã. Nunca lá voltei a entrar, nem no pátio de pedra da porta de entrada. Depois das obras e da venda, nem sequer espreitei. Passo por outras ruas, evito passar por lá… Jamais eu me permitiria ver, nem sequer imaginar, tudo como é agora. O meu mundo é meu e é sagrado. Aquela casa era sagrada, intocável.
Foi um outro tempo, posso conviver com quase todas as contrariedades da vida, mas essa é uma das mais difíceis, uma parte de mim ficou lá…….se eu pudesse recuperar a casa não hesitaria, não para reviver o passado, mas para continuar uma outra história.”
(texto/entrevista de Eugénia Melo e Castro,
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